Depoimento de jovem deficiente auditiva que preferiu não ser identificada
Ao entrar na universidade vi que um mundo se abriu para mim, novos amigos, novos conhecimentos, novas perspectivas, era tudo lindo, todos muito legais e o sistema parecia infalível, erro meu. Quando comecei a frequentar as aulas logo percebi que seria uma luta aprender com pessoas que não estavam preparadas para mim, em uma universidade que não estava preparada.
Logo no primeiro dia do curso de pedagogia conheci minha melhor amiga de universidade, a unica que se comunicava em LIBRAS de todas que conhecia, assim logo a afinidade foi imediata e nós ficamos muito tempo juntas na universidade e fora dela, ela não era surda, era uma ouvinte com pais surdos que estava assim como eu buscando incluir pessoas com deficiência auditiva cada vez mais no curso superior, era um sonho um tanto quanto distante. Porém as dificuldades eram visíveis. Os professores não estavam preparados e adaptados e assim a qualidade das aulas acabavam diminuindo.
Percebiamos a falta de preparo dos profissionais da universidade porém aquilo não me impedia de buscar o conhecimento e lutar para melhora-lo. As meninas do nosso grupo de estudo se esforçavam para se comunicar em LIBRAS todo o tempo, isso ajudava muito, percebi que todos queriam me ajudar apesar das dificuldades, era um incentivo para continuar.
Não sei se estavam esperando um história triste ou que mostrava o quanto sofro no meu curso, estou no segundo ano de faculdade e esses pequenos problemas só me motivam para para buscar uma solução para mim e para todos os deficiente de um modo geral em todo o mundo, para que as proximas gerações não tenham tanta dificuldade temos de nos unir, todos são iguais apesar de alguns detalhes que por mais que façam a diferença ela pode ser superada rapidamente, assim mostrar que o Brasil realmente é um país de todos.
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