segunda-feira, 2 de junho de 2014

LIBRAS - Que Língua é essa?


LIBRAS(Língua Brasileira de Sinais), de acordo com a lei nr. 10.436 de 24 de abril de 2002, LIBRAS é reconhecida como a segunda língua oficial do Brasil. Esta lei foi regulamentada pelo decreto nr. 5.626 de 22 de dezembro de 2005.

Desde essa data foi regulamentado que deveria ser inserida como disciplina obrigatória nos cursos de formação de professores e alguns outros cursos de formação média e superior no país. A LIBRAS nos demais cursos de educação superior e educação profissional é opcional desde um ano após a publicação do decreto, ou seja, desde 23 de dezembro de 2006.


A difusão da Língua Brasileira de Sinais

Quase nove anos após ser sancionada a Lei muitas pessoas ainda não a conhecem. Algumas pessoas dizem que é mímica, outras que é um conjunto de sinais usado pelos deficientes auditivos (DA). Não é mimica e não se trata de uma linguagem universal, já que cada país possui a sua, apesar de existir alguns sinais universais. No entanto, cada vez mais se faz necessário conhecê-la e sua difusão tem ocorrido, principalmente nas universidades de forma bastante significativa.


O Alfabeto

O alfabeto possui trinta sinais que representam as vinte e seis letras, o cedilha (Ç) e os acentos: agudo (´), circunflexo (^) e til (~).



Os Sinais, uma linguagem completa


Temos dois tipos de sinais:

- SINAIS ICÔNICOS: são os sinais que dizem a palavra por si só. Ex.: carro, casa, dirigir, telefone.
- SINAIS NÃO ICÔNICOS: basicamente não sinalizam a palavra utilizadasão os sinais que não "sinalizam" a palavra em questão. Ex.: mãe, pai, namorado, trabalhar.

Para iniciar a prática em LIBRAS você precisa conhecer os cinco parâmetros da LIBRAS que são:


(CM) Configuração das mãos - são as formas que posicionamos as mãos para fazer o sinal. 

(PA) Ponto de Articulação  - é onde incide a mão para a execução do sinal. Pode ser um local do corpo por exemplo.

(M) Movimento - alguns sinais têm movimentos e outros não.

(O/D) Orientação ou Direcionalidade - é a direção dada ao sinal que será executado.

(EF/C) Expressão facial e/ou corporal - grande parte dos sinais precisam de complemento facial ou corporal.

Bibliografia

SEESP. Atendimento educacional especializado: defi ciência auditiva. Brasília: MEC/SEESP, 2007.
VIEIRA, Andreza Batista Cheloni; MACEDO, Luciana Resende de; GONÇALVES, Denise Utsch. O diagnóstico da perda auditiva na infância. Pediatria, São Paulo, v. 29, n. 1, p. 43-49, 2007.

Saiba mais em : http://www.sedis.ufrn.br/bibliotecadigital/pdf/TICS/Livro_MOD1_LIBRAS_Z_WEB.pdf

sexta-feira, 30 de maio de 2014

A Inteligência Coletiva e a Cibercultura por Pierre Lévy


Pierre Lévy, filósofo francês contemporâneo que ocupou-se da análise das relações entre sociedade e Internet descreve os conceitos de Inteligência Social e Cibercultura como sendo a difusão/ interação das inteligências de cada indivíduo numa mesma sociedade e a "virtualização da realidade", respectivamente.


A Colaboração do Coletivo para avaliar situações e propor mudanças
 

Lévy relata a importância da internet como meio de participação proativa e colaborativa dos diversos sujeitos que compõem a sociedade para com ela.

“A colaboração na internet pode ser interpretada como uma forma de inteligência coletiva que devido ao seu grande alcance, facilita o aparecimento de um cérebro global que permite ao usuário não apenas a difusão de mensagens, mas a sua interação e um papel ativo na modificação das informações que surgem da colaboração de muitos indivíduos em suas diversidades.
Assim, a criação desse Ciberespaço possibilita que formas organizacionais baseadas na inteligência coletiva constituam-se, contribuindo para o surgimento dos fóruns baseados na comunidade do conhecimento em que a inteligência coletiva não é apenas uma contribuição quantitativa das informações, mas uma estrutura para a promoção do enriquecimento humano através do aumento da competência dos indivíduos e do grupo.”



Lévy fala exatamente dessa ajuda mútua, interação, a disseminação da informação que nos leva a essa questão sobre o enriquecimento do assunto abordado de uma maneira geral. A idéia de um ambiente que apresente informações, debates e discussões relacionadas a um tema relevante como a inclusão social de surdos, contribui significativamente para o início de uma movimentação no sentido de um olhar mais crítico e voltado à mudança com melhorias.
Saiba mais : http://www.cibersociedad.net/congres2009/es/coms/ciberespaso-educasao-em-um-novo-plano-de-realidade/307/

Coletivos inteligentes


Hoje olhando alguns blogs sobre o assunto comecei a imaginar essa estrutura da internet fazendo, essa interação  entre  os participantes de uma produção colaborativa na web. Será que realmente isso é feito ? Poderiamos ter mais resultados talvez se conseguissemos unir todas as agências que levam essas notícias para o mundo todo, um "amplo grupo fechado", onde troca de informações são necessárias, a união, o numero de seguidores seria colocado de lado e a cooperação seria a grande vitória para essa causa tão pouco disseminada para o mundo.





Comunidades virtuais


“A questão da comunidade é uma questão de emoções, assim como de razão e de dados. Alguns dos mais importantes ensinamentos terão necessariamente de ser colhidos nos quatro cantos do ciberespaço, decorrentes da vivência no seu interior e da observação dos problemas sentidos pela comunidades virtuais.”[1]

Tratamento dos usuários


Hoje com as redes sociais em explosão no mundo todo temos um grande número do fluxo de mensagens e troca de mensagens entre usuários de todo o mundo, pessoas com vidas sociais reais um pouco paradas utilizam dos meios de comunicação para interagirem, porém muitas vezes essa interação acaba sendo algo não muito construtivo, talvez seja ai que venha um grande problema dos usuários, a falta de objetivo. Falar sobre assuntos aleatórios pode não acrescentar muito aos internautas, e esse ponto deve ser tratado, usar um assunto tão importante como o direito de deficiêntes para abrir uma grande discussão sobre o assunto e causar uma mobilização é uma maneira interessante de ao mesmo tempo interagir com as pessoas e discutir sobre algo construtivo e que pode realmente mudar a vida de alguém.


Bibliografia

[1]HOWARD RHEINGOLD, A Comunidade Virtual. Lisboa: Gradiva, 1996.
[2]PIERRE LÉVY, A Inteligência Coletiva. São Paulo: Loyola, 1998.
[3]PIERRE LÉVY, Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1999.


Saiba mais : http://posinfo.ufabc.edu.br/index_arquivos/InteligenciaSocial.htm



quarta-feira, 28 de maio de 2014

Um pouco sobre Leis


Principais Leis relacionadas ao Tema "Educação Especial" no Brasil


Para que tenhamos uma visão mais ampla da legislação correlacionada ao tema, a fim de que tenhamos uma melhor apuração do que está previsto e do que realmente ocorre na prática, apresentamos a seguir um resumo das principais leis envolvidas.

A atual Lei de Diretrizes e Bases para a Educação Nacional de n. 9. 394, de 20 de dezembro de 1996, trata especificamente no Capítulo V, da Educação Especial. Define-a por modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para pessoas com necessidades educacionais especiais. Assim, ela perpassa todos os níveis de ensino, desde a Educação Infantil ao Ensino Superior.



Lei n. 9. 394/96

De acordo com a Lei n. 9. 394/96 (BRASIL, 1997) a educação é um direito de todos e dever do Estado e da família. Especificamente no Art. 208, inciso III desta lei, consta que as crianças e jovens com deficiências deverão, preferencialmente, cursar a rede regular de ensino. O Estatuto da Criança e do Adolescente atesta, ainda, a igualdade de oportunidades que as crianças e os adolescentes com deficiência deverão possuir em termos de educação, sendo o Estado e toda sociedade responsáveis pelo seu zelo (BRASIL, 1990). Entretanto, para o deficiente auditivo isso parece estar ocorrendo parcialmente, já que poucos chegam a cursar o nível superior de ensino, estando, portanto, comprometidas suas chances de integração social e conquista de realização pessoal.

Lei n. 10.098

A legislação pretende garantir os direitos das pessoas com deficiência: a Lei n. 10.098, de 19 de dezembro de 2000, estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadores de deficiência ou com mobilidade reduzida; o Decreto n. 3.956, de 8 de outubro de 2001, garante a eliminação de todas as formas de discriminação contra pessoas portadoras de deficiência e, a Lei n. 10.436, de 24 de abril de 2002, dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) como meio de comunicação de pessoas surdas e/ou mudas (BRASIL, 2005), entre outras providências.

Reflexão Legislação versus Aplicabilidade do que diz a Lei

A partir dai, é possível refletir se a legislação abrange as todos os aspectos relevantes, se ainda há campo para avançarmos, o que acontece e o que precisa ser implementado na prática e se o cenário atual no âmbito da inclusão dos surdos em universidades é favorável ou não.



Saiba mais : http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm

sexta-feira, 23 de maio de 2014

   Depoimento de jovem deficiente auditiva que preferiu não ser identificada


Ao entrar na universidade vi que um mundo se abriu para mim, novos amigos, novos conhecimentos, novas perspectivas, era tudo lindo, todos muito legais e o sistema parecia infalível, erro meu. Quando comecei a frequentar as aulas logo percebi que seria uma luta aprender com pessoas que não estavam preparadas para mim, em uma universidade que não estava preparada. 

Logo no primeiro dia do curso de pedagogia conheci minha melhor amiga de universidade, a unica que se comunicava em LIBRAS de todas que conhecia, assim logo a afinidade foi imediata e nós ficamos muito tempo juntas na universidade e fora dela, ela não era surda, era uma ouvinte com pais surdos que estava assim como eu buscando incluir pessoas com deficiência auditiva cada vez mais no curso superior, era um sonho um tanto quanto distante. Porém as dificuldades eram visíveis. Os professores não estavam preparados e adaptados e assim a qualidade das aulas acabavam diminuindo.


Percebiamos a falta de preparo dos profissionais da universidade porém aquilo não me impedia de buscar o conhecimento e lutar para melhora-lo. As meninas do nosso grupo de estudo se esforçavam para se comunicar em LIBRAS todo o tempo, isso ajudava muito, percebi que todos queriam me ajudar apesar das dificuldades, era um incentivo para continuar. 

Não sei se estavam esperando um história triste ou que mostrava o quanto sofro no meu curso, estou no segundo ano de faculdade e esses pequenos problemas só me motivam para para buscar uma solução para mim e para todos os deficiente de um modo geral em todo o mundo, para que as proximas gerações não tenham tanta dificuldade temos de nos unir, todos são iguais apesar de alguns detalhes que por mais que façam a diferença ela pode ser superada rapidamente, assim mostrar que o Brasil realmente é um país de todos.



sexta-feira, 16 de maio de 2014

Algumas questões que dizem respeito aos surdos nas Universidades

Quando falamos em acessibilidade dos surdos oralizados, tratamos de questões muito mais abrangentes do que a simples didática e iniciativa das Universidades brasileiras em voltar atenção e e abrir espaço para estas pessoas.

Para tratarmos deste assunto, muitas vezes, se faz necessário entender as necessidades dos surdos e acima de tudo promover investimentos em estrutura adequada ao ensino-aprendizagem de forma que o ambiente da sala de aula seja bem estruturado, iluminado, que existam legendas presentes nas apresentações, estenotipia e proximidade aos professores, além do fundamental, o respeito e bom senso de todos os envolvidos no processo. No entanto, tais ações/aspectos acontecem na prática, mesmo que forma isola, nas universidades do Brasil?


Pensando um pouco a respeito da relação com os surdos na atualidade

Vale a reflexão, será que na atualidade as instituições de ensino e mais especificamente as Universidades adotam estrutura adequada e efetivamente trabalham visando uma relação diferenciada com estas pessoas ou ainda presenciamos a falta de ambiente e postura corretos para melhor entendimento e ainda preservam-se as situações de preconceito e discriminação?



terça-feira, 13 de maio de 2014

O atual cenário do Brasil no âmbito da Inclusão Social dos Surdos

Dada a complexidade do tema, convém elecarmos alguns pontos pertinentes e entendermos a legislação e a tratativa/postura da sociedade brasileira perante este assunto para que a partir daí possamos levantar questionamentos que possam conduzir a estudos e leis eficientes e eficazes na resolução os aspectos críticos relacionados.

Assim, apresentamos um breve resumo do que consta na lei 10.436 extraído do site http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10436.htm:

"O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1o É reconhecida como meio legal de comunicação e expressão a Língua Brasileira de Sinais - Libras e outros recursos de expressão a ela associados.

Parágrafo único. Entende-se como Língua Brasileira de Sinais - Libras a forma de comunicação e expressão, em que o sistema lingüístico de natureza visual-motora, com estrutura gramatical própria, constituem um sistema lingüístico de transmissão de idéias e fatos, oriundos de comunidades de pessoas surdas do Brasil.

Art. 2o Deve ser garantido, por parte do poder público em geral e empresas concessionárias de serviços públicos, formas institucionalizadas de apoiar o uso e difusão da Língua Brasileira de Sinais - Libras como meio de comunicação objetiva e de utilização corrente das comunidades surdas do Brasil.

Art. 3o As instituições públicas e empresas concessionárias de serviços públicos de assistência à saúde devem garantir atendimento e tratamento adequado aos portadores de deficiência auditiva, de acordo com as normas legais em vigor.

Art. 4o O sistema educacional federal e os sistemas educacionais estaduais, municipais e do Distrito Federal devem garantir a inclusão nos cursos de formação de Educação Especial, de Fonoaudiologia e de Magistério, em seus níveis médio e superior, do ensino da Língua Brasileira de Sinais - Libras, como parte integrante dos Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs, conforme legislação vigente.

Parágrafo único. A Língua Brasileira de Sinais - Libras não poderá substituir a modalidade escrita da língua portuguesa.

Art. 5o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 24 de abril de 2002; 181o da Independência e 114o da República."

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
Paulo Renato Souza
 
 
 
A grande questão está associada aos art. 3º e 4º, será que as instituições brasileiras oferecem assistência, atendimento e tratamento adequado a estas pessoas? E sobretudo no âmbito do sistema educacional, efetivamente há a inclusão social destes indivíduos ou ainda prevalece uma visão focada em suas limitações e muitas vezes posta à marginalização?
 

quarta-feira, 9 de abril de 2014


Um debate sobre a inclusão dos surdos brasileiros nas Universidades

Esse blog busca uma ampla discussão sobre a inclusão dos jovens com deficiência auditiva nas Universidades brasileiras. Busca obter informações correlacionadas, promover debates, reflexões e mostrar diferentes visões acerca das melhores práticas e de como se deve dar esse processo.
Diversas são as variáveis e os parâmetros envolvidos nessas discussões, uma vez que existem diferentes níveis de surdez bem como as mais variadas formações e aspectos socio-econômicos envolvidos na educação de um indivíduo.


Influências no Processo de Ensino-Aprendizagem de surdos

Alguns dos fatores que podem afetar o processo de aprendizagem de pessoas surdas são por exemplo: o período em que os pais reconhecem a perda auditiva, o envolvimento dos pais na educação das crianças, os problemas físicos associados, os encaminhamentos feitos, o tipo de atendimento realizado, entre outros.

Embora os aspectos médico, individual e familiar ampliem o universo de análise sobre o fenômeno, nos chama a atenção para a necessidade de vê-los sob uma perspectiva sócio - cultural.

O surdo difere do ouvinte, não apenas porque não ouve, mas porque desenvolve potencialidades psicoculturais próprias. Somos todos pessoas diferentes.




Perfil dos Autores

Gustavo Bueno

Ingressou na Universidade no ano de 2010, cursando Bacharelado em Ciência e Tecnologia e passou a fazer parte do Grupo Info&Sociedade da UFABC, quando desenvolveu a idéia de espaço para discussão acerca dos surdos nas universidades. Atuou por seis anos como voluntário no Rotary Club, onde se envolveu com vários projetos sociais. Acredita que a busca da igualdade social no país tem que partir do seu povo.



João Courel

Ingressou na Universidade Federal do ABC no ano de 2010, cursando Engenharia de Instrumentação, Automação e Robotica. Trabalha na educação infantil e atua diretamente com a inclusão de crianças especiais na escola regular.


Rodrigo Pereira

Ingressou na Universidade Federal do ABC no ano de 2009, cursando Bacharelado em Ciência & Tecnologia. Possui interesse na Área de Engenharia de Gestão e atua há mais de 7 anos em Instituição Bancária na qual os processos de inclusão social são fortemente trabalhados. Integrante do Grupo de Info&Sociedade da UFABC, busca promover a reflexão e o debate acerca da inclusão dos jovens surdos no âmbito das Universidades brasileiras e os avanços que ainda se fazem necessários  neste quesito em nosso país.